quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Agropalma embarca lote de óleo sustentável



Agropalma embarca lote de óleo sustentável

Por Bettina Barros | De São Paulo
Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
Marcello Brito, da Agropalma: trabalho para que o mercado interno também pague prêmio pelo óleo certificado

A Agropalma, maior produtora de óleo de palma (dendê) e palmiste do país, embarca hoje para a Europa seu primeiro lote certificado como "sustentável". O embarque colocará o Brasil no pequeno grupo de países produtores da matéria-prima com a chancela da Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês).
Neste primeiro momento, serão exportadas 6.400 toneladas de óleo de palma (feito a partir da polpa) e 500 toneladas de óleo de palmiste (feito a partir da semente) para Hamburgo, na Alemanha. Segundo a Agropalma, a certificação garantiu um prêmio sobre o preço de US$ 13,00 por tonelada para o óleo de palma e US$ 15,00 por tonelada para o de palmiste.
A expectativa, porém, é que até o fim do ano sejam produzidas as mesmas 160 mil toneladas de óleo certificado do ano passado - 50% ficando no mercado interno e 50% para o mercado externo. Se concretizado, o volume agregaria, somente em prêmios, US$ 1,5 milhão ao faturamento da Agropalma. "Estamos trabalhando para que o mercado interno também pague prêmios. Isso é um grande incentivo, tanto que estamos querendo ampliar a certificação para todos os agricultores familiares [que fornecem matéria-prima à empresa]", afirma Marcello Brito, diretor comercial e de sustentabilidade da Agropalma. Segundo ele, até meados de 2013 os 220 fornecedores, que representam 10% da sua produção, deverão estar certificados.
Existem atualmente no mundo 29 empresas, em seis países, com plantio de palma certificados. Juntas, elas detêm 135 usinas de extração de óleo e são responsáveis pelo processamento dos cachos de uma área certificada de 1,13 milhão de hectares. Em 2011, a produção total de óleo de palma certificado ficou em 4,79 milhões de toneladas e em 1,11 milhão de toneladas para o óleo de palmiste.
Com 40 mil hectares de plantio, cinco usinas de extração e uma refinaria no Pará, a Agropalma é a maior empresa do setor no país e a única a obter a certificação RSPO.
Para Brito, a venda do primeiro lote de óleo sustentável dá início a um novo modelo de agricultura a ser praticada nas áreas degradadas da Amazônia. "A certificação mostra que, apesar das dificuldades enfrentadas com a questão fundiária, leis trabalhistas obsoletas, legislação ambiental indefinida e estrutura logística deficiente, é possível produzir um bem agrícola, gerando riqueza e desenvolvimento social ao mesmo tempo em que se mitigam os danos ambientais inerente à produção", diz.
Isso porque a certificação RSPO impõe um longo processo burocrático que termina com a comprovação de que o produtor consegue seguir oito princípios, 39 critérios e 123 indicadores determinados pela entidade global. Criada em 2002, como forma de ordenar a produção mundial e estancar o desmatamento de florestas nativas, prevê entre outros pontos a responsabilidade ambiental e conservação dos recursos naturais e da biodiversidade, o uso de melhores práticas agrícolas e a conformidade com a legislação de cada país.
O grande salto dessa produção deverá ocorrer a partir de 2015, quando gigantes do setor de consumo de óleo de palma colocarão em prática um compromisso público de adquirir matérias-primas somente com o certificado sustentável. Unilever, Cargill, Nestlé, Carrefour, Tesco, Wal-Mart, Henkel são alguns exemplos. Holanda e Bélgica, através de suas associações patronais e governos, também irão limitar as sua importações ao óleo de palma certificado RSPO a partir do final de 2015.
"Espera-se, então, que esse mercado atinja um patamar entre 12 a 15 milhões de toneladas anuais, o que equivale a mais de três vezes o mercado atual", diz Brito. "Aí o prêmio não fará mais sentido, porque a certificação será obrigatória. E o que irá vigorar é prêmio negativo - o preço de mercado será pago aos que têm certificação e o preço mais barato aqueles que não têm".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sustentabilidade é mais que uma meta - Precisa ser uma Cultura organizacional


O desenvolvimento sustentável de um negócio é mais que uma meta, na verdade é o caminho que deve orientar como decidimos e fazemos as coisas.

O caminho desse movimento exige que organizações empresariais preparem e desenvolvam...:
1.Cultura organizacional de sustentação
2.Posicionamento claro sobre o tema
3.Liderança alinhada e comprometida
4.Políticas corporativas alinhadas
5.Estimulo a participação de toda a organização – construção conjunta
6.Estímulo a inovação - integrada as demandas da sociedade para uma economia inclusiva e de baixo carbono
7.Ferramentas de apoio e incentivo
Fabiano Rangel - Sustentabilidade em movimento
data: 25/01/2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

Um novo ano de ajuda e relações mais sustentáveis!

Falar de sustentabilidade, também é falar essncialmente de ciclos, desejos e avaliações do passado, presente e futuro, mas ainda é falar como de como estão as nossas relações como pessoas e
com as pessas, com o meio que habitamose com os recursos que usamos e mais é
avaliar tudo isso, diante destes lapsos temporais que abrem e fecham os ciclos.

Foi com essa reflexão que resolvi escrever um pouco sobre um dos meus maiores desejos para 2012 e no final, acabei enviando para alguns amigos e outras pessoas que de alguma forma participaram da minha vida no ciclo de 2011, para o meu espando, muitos me responderam de um jeito tão próximo e
humano que resolvi tornar essas palavras perenes neste espado, ainda que seja dedicado a uma discussão e reflexão voltada a sustentabilidade, por que o tema central foi justamente a capacidade e necessidade que nós enquanto seres humanos temos de ajudar e ser ajudados e o quanto isso é importante na construção de relações sustentáveis.

Embora muitas vezes, parece que este é um sentimento efemero e contaminado pela loucura do dia a dia, basta voltarmos a rotina e vira um cada um por si e salvesse quem puder. Uma dualidade que fica evidente nesta época do ano, de um lado, nossa essência humana aflora e um senso de solidariedade,
fraternidade e até humildade fora do comum se apresenta fervorosamente, mas de outros, nos voltamos cegamente a nós mesmos cheios de planos egoístas, individuais e desconectados do mundo.
Mas gosto e prefiro olhar as coisas sempre com positividade e é isso que me faz acreditar todos os dias que uma hora daremos conta de algo simples... de lembrarmos de que somos humanos e
interdependentes, dotados de uma capacidade incrível de sentir... sentir ódio, mas também amor e compaixão, sentir raiva, mas também o perdão e compreensão, de sentir tristezas, mas também alegria e felicidade, de sentir ganância, mas também a solidariedade e a fraternidade... para cada sentimento ruim que podemos experimentar há sempre um ou mais sentimentos bons... e isso me faz
acreditar que se tivermos a capacidade de discernir de forma mais rápida, ao invés de olhar as coisas com pessimismo, poderemos encarar muitos dos problemas pelos quais passamos como algo passageiro, ser otimistas e buscar positividade em tudo que somos e fazemos.

Um exercício bom para buscar sempre esse otimismo e positividade é a ética da solidariedade, fraternidade, compaixão em suma da ajuda, todos esses sentimentos e condutas que se afloram mais nessa época do ano, e, não precisa ser nada elaborado, estruturado ou grandioso, podemos não
perceber mas às vezes um simples bom dia ou um desejo sincero de boas festas seguido de um abraço verdadeiro já é capaz de mudar a vida de uma pessoa ao menos por um segundo e esse valerá ouro. Por isso, meu grande desejo nesta virada de ano é que tenhamos essa capacidade de exercitar mais esse espírito solidário ao longo dos 365 dias que virão e tenhamos como a ajuda como palavra de ordem.

Tenho aprendido ao longo da vida que quanto mais nos colocamos disponíveis à ajudar e apoiar o outro, mergulhar em desafios comuns, chorar e sorrir em conjunto, mas eu ganho... ganho experiência, ganho afeto, ganho gratidão, ganho novos amigos, ganho sorrisos, apertos de mão e abraços verdadeiros, ganho até a oportunidade de ter um bom motivo de comemoração e
brindar a conquista alheia... ganho ainda mais, porque o outro também ganha, então essa é uma equação que só se multiplica... cheguei a conclusão que ajudar é quase que uma relação simbiótica que só potencializa coisas boas.

Além disso, percebi que ajudar e claro, ser ajudado, faz com que qualquer grande desafio homérico fique menor, porque isso significa ter mais gente para criar, apoiar e superar qualquer barreira... se for um muro um faz escadinha para o outro e rapidamente a barreira fica para traz, se for uma pedra serão mais músculos e mentes para tirá-la da frente, se for um quebra cabeça serão mais olhos vendo as peças, se for uma equação quântica quase impossível de compreender serão mais mentes buscando soluções, portanto, ajudar e ser ajudado, seja colocando diretamente a mão na massa ou seja apenas com um olhar de esperança e incentivo como quem diz “eu acredito que você consegue” é um dos principais segredos de qualquer sucesso e sem dúvida, primordial para construir a felicidade de qualquer pessoa.

Parafraseando o profeta gentileza “ajudar, gera ajuda!” Portanto, ajudar é ser ajudado, ajudar é viver positivamente!
Boas festas a todos e é com esse esperíto que deixo neste espaço a esperança de que 2012 seja um ano de sucesso para a criação de mais relações justas, responsáveis e sustentáveis!

De presente também deixo u link que me inspirou muito na construção desta mensagem:
http://www.youtube.com/watch?v=rwWu5VO3Ve0&feature=share

domingo, 4 de dezembro de 2011

Qual a relação com a Goma Árabica, Industria de Alimentos, Sustentabilidade e Resolução de Conflitos?

A matéria que segue traz uma leitura interessante sobre a complexidade da discussão da sustentabilidade, desenvolvimento sustentável ou qualquer outro nome dirigido ao assunto que preferir (fica a gosto do freguês).

Isso porque neste caso o mais relevante é entender a atual dinâmica de um mundo complexo, interligado e sistêmico, onde um produto como a Goma Arábica - isso mesmo - àquela que usávamos nas aulas de educação artistica no ensino fundamental e que os correios usam até hoje para fechar cartas, pode ter de impacto positivo para preservação de áreas florestais, desenvolvimento socioeconomico, resolução de conflito e a ainda assumir um papel importante na atual indústria de alimentos e tudo isso, em uma pequena região do oriente médio.

Contudo, para que todo esse potêncial se torne realidade é necessário um nível especial de atenção e gestão, mas não qualquer gestão, estamos falando de uma gestão pública que seja pautada por direitos humanos e com foco no desenvolvimento local integrado, sem ignorar as questões culturais e relegiosas, mas isento dessas premissas, portanto, não estamos falando de gestão pública de país, mas multilateral, porque existem muitos atores não regionais nessa cadeia que podem deixar um legado positivo ou não, de acordo com as premissas que adotarem.

Na minha leitura, vale a reflexão!


A GOMA-ARÁBICA, UMA SOLUÇÃO MILAGROSA PARA OS PROBLEMAS DO SUDÃO?
Fonte: G1
Data: 01/12/2011

Al-Dourouta, Sudão, 1 dez 2011 (AFP) -A goma-arábica, uma resina da acácia recolhida, principalmente, no Sudão, em zonas em pleno conflito, é um componente essencial da Coca-Cola - e seus produtores esperam fazer dela um maná que poderá salvar a região da pobreza e da guerra. Há 14 anos, Al-Amin recolhe o produto no estado de Kordofan do Norte, mas o camponês, de 40 anos, tira disso um rendimento tão pequeno que pensa, para alimentar sua mulher e os sete filhos, cortar as árvores e vendê-las para fazer carvão, contribuindo, dessa forma, para a desertificação do centro do Sudão. Ele diz não ter "outra escolha, senão olhar a propriedade e pensar quanto poderá ganhar com as árvores cortadas". A goma-arábica é obtida através de uma incisão feita no córtex de dois tipos de acácias, chamadas Talha e Hashab, que crescem na savana sudanesa, principalmente nos estados de Nilo Azul, Kordofan do Sul e Darfur Sul, todos os três abalados por conflitos armados. A goma transformada é usada como emulsificador, com o nome de E414, e entra, principalmente, na composição de três refrigerantes, além de bombons e pílulas, porque impede o açúcar de cristalizar. Os Estados Unidos importam cerca de 7.000 toneladas por ano, segundo fontes industriais sudanesas, apesar de um embargo total sobre as vendas do país. As autoridades americanas abriram uma exceção para esse produto, em 2000. Um relatório do Congresso destaca que a proibição de importar a goma-arábica proveniente do Sudão, que é de longe o primeiro produtor mundial, teria um efeito "devastador" na indústria alimentar dos Estados Unidos. "Pensamos que a goma arábica é o maná enviado por Deus, o pão do céu", afirmou Abdelmagid Ghadir, secretário-geral da Interprofissão sudanesa da goma-arábica, lamentando que "os camponeses a considerem uma cultura marginal". Issam Siddig, um dos primeiros a transformar a goma sudanesa para fins de exportação, considera que esta cultura poderia mudar a vida dos agricultores, frear a desertificação, e até pôr fim ao conflito em Darfur, na medida em que incentivaria os sudaneses a deixarem as armas, em troca de instrumentos de colheita. Cerca de 13 milhões de pessoas vivem nas regiões de cultura da goma, entre elas cinco milhões envolvidas na silvicultura, quer se trate da colheita da resina ou da derrubada de árvores. Virtudes Medicinais Mas, para que o milagre da produção da goma aconteça, é preciso que seja mais valorizada e, principalmente, que sejam reconhecidas as virtudes medicinais atribuídas a ela por seus produtores. A goma é um prebiótico natural, isto é, favorece o desenvolvimento de bactérias benéficas no intestino, afirma Siddig, lamentando que não seja reconhecida internacionalmente. "Este superalimento, vital para a saúde e para a medicina, é classificado (...) de produto sem importância", lamenta ele. Acusa os compradores ocidentais de terem criado um "monopólio de consumidores", entravaando o desenvolvimento da goma, que, vendida como emulsificador, não passa de 2 dólares o quilo, contra "mais de 100 dólares se for reconhecida como um prebiótico natural". Philippe Vialatte, vice-diretor da empresa francesa Nexira, que compra e transforma cerca de 50% da goma sudanesa exportada, desmente a existência de um tal monopólio, destacando que a liberalização do mercado, em 2009, permitiu aos camponeses obter um melhor preço. Destaca, no entanto, que sua empresa tentou desenvolver a goma como complemento alimentar, há três anos, sem um avanço maior, no entanto, devido à "forte competitividade" de outros prebióticos. Uma esperança subsiste: as propriedades medicinais da goma acabam de ser reconhecidas pela Autoridade sudanesa de controle - um avanço que deverá obrigar a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a debruçar-se sobre o assunto "porque o Sudão fornece 80% da produção mundial" destaca Siddig. Na expectativa de que as 55.000 toneladas anuais da goma produzidas pelo país sejam reconhecidas pelo valor justo, Al-Amin continua a fazer incisões no córtex das árvores, para fazer escoar a substância colante e sem odor, que recolherá depois. Enquanto trabalha, ele recita um poema sobre sua "paixão" pela árvore: "Longe de meus filhos, passo meses a seu lado, porque seu córcex é generoso e sua goma possui 'uma grande beleza". sma-cnp/sd

sábado, 19 de novembro de 2011

Afinal o que é sustentabilidade?

Ainda não consigo ver a sustentabilidade como um conceito, teoria ou tese que estejam prontas e acabadas, por isso, não consigo defender essa ideia por este caminho. Assim, para definir este tema tão complexo, costumo usar uma abordagem que parte de algo mais abrangente, acredito que até etério, nesse sentido, gosto da ideia inicial de encarar a sustentabilidade como um movimento, que vai se estreitando e chega mais próximo de uma aplicação mais pragmática aplicada ao contexto empresarial e da gestão das atividades economicas.

Neste sentido, costumo definir a sustentabildiade como:

Um movimento em construção, discutido e explorado há pouco tempo pelo homem e que visa dar equilíbrio entre suas relações com meio e contexto em que está inserido.

Dirigida ao meio empresarial

Vejo a discussão como um movimento também, mas que provoca empresas gerirem e serem integralmente responsáveis pelo seu negócio, assegurando sua viabilidade econômica, aceitação cultural e política, por meio de uma postura inclusiva e respeitosa com as pessoas, além de eficiente e responsável no uso dos recursos e serviços ambientais.

Concretamente esse movimento demanda do meio empresarial ter uma agenda que gire entorno de alguns temas essenciais como:
Fabiano Rangel
Blog Sustentabilidade em Movimento

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Consumidor negro sofistica compras II - Liberdade de expressão

Matéria recente (08/11/2011) do Valor Econômico " Consumidor negro sofistica compras", infelizmente evidencia o quanto ainda vivemos em um país carregado de desigualdades e o mais triste e complexo é que uma parte significativa dessa desigualdade se acentua por preconceitos, o que chega a ser paradoxal, considerando que vivemos em um país livre e economicamente regido pelo sistema capitalista, onde a gestão de riscos, lucros e negócios deveria ter um olhar realmente mais pragmático sobre números.

Números estes que a matéria correlaciona, demonstrar o quanto ainda somos carreado por uma herança escravocrata medíocre, indigna, desumana e muitas vezes contaminada por um elitismo (não confundir com elite, até porque existe muita gente na elite que trabalha a favor do desenvolvimento do país e que se importam com o bem estar das pessoas), que apenas se sofisticou tornando sutil e velado o preconceito, ainda presente e que só traz prejuízos ao desenvolvimento do país.

Um preconceito descabido que cria e fomenta uma base artificial da pirâmide que se desenvolvida, reduziria ainda mais nossa dependência de mercados externos, em especial para os setores e mercados que vivem de demandas por bens de consumo duráveis e não duráveis e de tabela alavancaria a demanda por commodities das quais somos grandes produtores e que nossa mediocridade faz questão de mandar para fora aumentando ainda mais a pegada de carbono e o impacto ambiental destes processos.

Os números da matéria não me surpreendem tanto, uma vez que há algum tempo vem acompanhando essa discussão, mas me indigna sim a forma como “naturalizamos” essa desigualdade. Essa é uma questão que chama atenção e me intriga um pouco mais, ver a forma como nos parece “natural que os negros tenham acesso mais lento aos bens de consumo não duráveis” – fala da matéria, isso na minha leitura mostra a sutiliza com a qual cristalizamos preconceito de forma velada, neste caso racial.

Imagine se não é o mesmo que dizer "é natural que os brancos ganhem mais, porque são brancos ou porque não foram escravizados, ou porque se empenharam mais". Nestas horas sempre lembro do conceito trabalhado pelo Amathya Sen de "Desenvolvimento como Liberdade". Não haverá real desenvolvimento sem inclusão, respeito, valorização da diversidade e consequentemente equidade entre as oportunidades e isso é uma demanda que não pode ser delegada para às próximas gerações, precisa acontecer aqui e agora. Mudar o jeito de pensar e ver as coisas, reconhecendo preconceitos e trabalhando contra isso já é um bom caminho.


Entre os negros ainda temos mais 50% dessa população na classe D e E, ou seja, muito trabalho no plano das políticas macroeconômicas a serem feitas. Empresas atentas a essa ascensão certamente terão uma preferência diante desses consumidores.

Consumidor negro sofistica compras

Por Letícia Casado | De São Paulo
Data: 08/11/2011

O crescimento da economia brasileira mudou o padrão de vida da população negra do país, que chegou a um novo patamar de compras: o de bens duráveis mais sofisticados. Estudo recente do Data Popular mostra que os negros aumentaram as compras de máquina de lavar, computador e carro.
Segundo Renato Meirelles, diretor do Data Popular, "o consumo do branco é para repor, enquanto o do negro, muitas vezes, é a primeira aquisição da casa". Meirelles diz que a distribuição de renda dos últimos anos favoreceu o crescimento da classe média. Em 2004, 33,7% dos negros pertenciam à classe C; 51,9% à D; e 11% à E. O cenário mudou: em 2009, eram 44,9% na C; 43,5% na D; e 6,6% na E. Para Athayde Motta, diretor executivo do Baobá, associação que defende a equidade racial, a migração da classe D para a C foi a maior surpresa do levantamento.

Entre os negros, 20% tinham carro próprio em 2009. A fatia dos não negros era de 41,4%. Os dois grupos usam o financiamento bancário como principal forma de pagamento. A diferença é maior quando o desembolso é à vista: os não negros (40,5%) prevalecem sobre os negros 32,7%). "É natural que os negros tenham acesso mais lento [a bens de consumo de maior valor agregado]. Carro não é barato e crédito não é imediato". De acordo com o Data Popular, os negros vão movimentar R$ 673 bilhões no Brasil em 2011 - um valor significativo. Em 2009, o valor ficou em R$ 584 bilhões, e em 2004, R$ 370 bilhões. Mas as diferenças entre negros e brancos, em termos de rendimento salarial e educação, ainda fazem com que o padrão de consumo dos negros seja inferior.

Em 2010, o rendimento médio do trabalhador negro foi de R$ 1.002 para homens e de R$ 672 para a mulheres, segundo dados do IBGE atualizados pelo Data Popular, que usou o INPC de setembro deste ano. A população não negra, que reúne brancos, amarelos, indígenas e aqueles que não declaram a cor da pele, registra rendimento bem maior: R$ 1.795 para homens e R$ 1.183 para mulheres. Por pertencerem em maioria à classes C, D e E, os negros recebem salários menores e isso puxa a média salarial do grupo para baixo. "De fato, o negro ganha menos e o branco ganha mais."

A educação é outro ponto importante. Meirelles diz que a qualidade do estudo está vinculada à classe social, assim como o acesso ao ensino superior - e os mais qualificados são aqueles que conseguem os melhores empregos. Por isso, acrescenta, "são muito importantes as ações afirmativas" como cotas raciais em universidades, por exemplo. "Ainda existe racismo no
nosso país", diz o diretor do Data Popular. Meireles também sente falta de "estratégia de
marketing" voltada para o consumidor negro.
Mari Zampol, diretora geral de planejamento da agência de publicidade Talent, não concorda. Para ela, a abordagem por cor da pele só se justifica no caso dos produtos de beleza. Caso contrário, afirma, a propaganda vai excluir - e não incluir - o consumidor.

O levantamento do Data Popular considerou uma base de dados com 18 mil pessoas, em um universo de 99,8 milhões de brasileiros (51,7% da população), que se declararam negros ou pardos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE em 2009.