sábado, 18 de junho de 2011

Responsabilidade Social Empresarial - Crônica de um impasse anunciado.

Gostei muito do artigo replicado abaixo, em especial pela sua capacidade de integrar as diferentes dimensões com que o assunto precisa ser tratado, em especial reforçando o papel das pessoas por inteiro, com suas crenças e intenções no processo ao contrário de algumas abordagens que tenho presenciado em que a fala é de fazer apenas a releitura do atual estado da arte, que já vem ao longo do tempo aclamando por uma revisão de valores.
Autor: Giovanni Barontini* 2007
giovanni.barontini@fabricaethica.com.br

Enquanto o mundo corporativo apropria-se dos temas da responsabilidade social empresarial e do desenvolvimento sustentável como poderosas ferramentas de comunicação, alocando recursos conspícuos em propaganda e marketing, muitas vezes superiores aos investidos nos próprios projetos e iniciativas objeto de divulgação, todos os indicadores sociais e ambientais do planeta parecem estagnar, quando não protagonizam um autêntico retrocesso[1].
Pululam os prêmios de responsabilidade socioambiental e os índices de sustentabilidade[2], que, longe de sinalizar um salto efetivo na consciência organizacional, parecem impulsionar um mero processo de transposição dos anseios competitivos de empresas e empresários, de terrenos mais tradicionais, como o da qualidade, por exemplo, para o mais “branché” e “cool” da sustentabilidade.
Todo mundo já ganhou, está ganhando ou vai ganhar algum reconhecimento, pela atuação exemplar na seara da responsabilidade empresarial, mas uma ponderação severa e criteriosa não conseguirá identificar muitas empresas, que tenham incorporado valores éticos, sociais e ambientais na sua forma de gestão e modelo de negócio.
Assim, questiona-se o significado de uma empresa de petróleo financiar a pintura das paredes de uma creche, caso não esteja investindo em energias renováveis (que representam o âmago de seu negócio), ou de um banco apoiar um torneio de basquete para deficientes físicos, enquanto mantém uma carteira de empréstimos e investimentos em setores que representam a velha e insustentável economia, amparada pela tragicômica ilusão das métricas do PIB.
Muitos profissionais da sustentabilidade aprenderam um jargão e ensaiaram umas atitudes, mas parecem atuar nesta área, com impecável profissionalismo, como poderiam desempenhar qualquer outro papel: o importante é “crescer” sempre e “vencer” sempre. A nova catequese é “sair na frente” em responsabilidade social, liderar nesta área sem compartilhar “o segredo” com ninguém: o modelo é o mesmo que se pretende abandonar e as condutas são impregnadas do equívoco do “politicamente correto” dos movimentos ecológicos mais radicais, acometidos pela doença do pluralismo relativista, em que todos têm direito de palavra (mesmo quando nada têm para dizer), mas é desaconselhado falar o que se pensa e sente verdadeiramente.
Dizer o que se pensa realmente, no ambiente empresarial como na vida desta bizarra sociedade que criamos, é considerado, amargaria a Clarice Lispector, uma “gafe”...
Perante este estado de coisas e ponderando, de forma apreciativa, os inegáveis avanços alcançados, apesar de tudo, pelo movimento da RSE, resta se perguntar: porque os mais de três bilhões de reais investidos anualmente, no Brasil, em filantropia, ação social, investimento social privado e responsabilidade empresarial não parecem lograr resultados efetivos? Porque a maior parte das organizações está envolvida em iniciativas que carecem, de forma cabal, de qualquer relevância e materialidade, deixando totalmente inalterado seu “business as usual”?
Ou, do ponto de vista do movimento da responsabilidade social e das consultorias em sustentabilidade: onde estamos errando e como podemos amenizar esta sensação constante de frustração, pela inocuidade de nossos esforços cotidianos?
O modelo integral AQAL[3], desenvolvido pelo filosofo Ken Wilber, pode oferecer uma formidável resposta a estas perguntas, representando um mapa que oriente nossas futuras opções estratégicas, a partir de uma melhor compreensão da realidade subjacente.
Em sua mais grosseira simplificação, o modelo propugna uma representação original da realidade, em quatro quadrantes absolutamente complementares e irredutíveis uns aos outros: o Superior Esquerdo, simbolizando o Interior do Indivíduo (também denominado de “intencional” e incluindo sua mente, percepções, emoções, símbolos, idéias e valores individuais); o Superior Direito, representando o Exterior do Indivíduo (também denominado de “comportamental” e incluindo tanto sua estrutura física e funcional, quanto seu comportamento, atitudes e manifestações externas); o Inferior Esquerdo, simbolizando o Interior do Coletivo (também denominado de “cultural”, correspondendo, em uma empresa, a seus valores coletivos e à sua cultura organizacional, como compartilhada por seus integrantes); e, por fim, o Inferior Direito, representando o Exterior do Coletivo (também denominado de “social” e incluindo as estruturas, mecanismos e ferramentas criadas e implementadas pela comunidade-empresa) [4].
Uma superficial análise das ferramentas de gestão e iniciativas empresariais, no campo da responsabilidade social corporativa, mostrará imediatamente, em toda a sua aflitiva dramaticidade, a quase exclusiva convergência de esforços do movimento no quadrante Inferior Direito (Exterior do Coletivo ou “social”).
De fato, todos os instrumentos, métricas, indicadores e iniciativas, sejam eles o Pacto Global, a Global Report Initiative, os Indicadores ETHOS de Responsabilidade Social, a SA8000, a AA1000, os balanços sociais e relatórios ambientais, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BOVESPA, os inúmeros prêmios de RSE ou os Códigos de Ética e de Conduta se situam exatamente no contexto da transformação da estrutura externa da organização empresarial (Exterior do Coletivo), impactando de forma bastante marginal ou nula a cultura organizacional (Interior do Coletivo), os valores das pessoas-funcionários (Interior do Indivíduo) e suas próprias posturas pessoais (Exterior do Indivíduo).
O mapa oferecido por Ken Wilber nos permite verificar, a título de exemplo, as razões da persistência da corrupção, em empresas que possuem declarações de princípios éticos e códigos de conduta. Obviamente, trabalhou-se na estrutura externa do quadrante social (elaboração, discussão e aprovação do instrumento “código de ética”: Exterior do Coletivo), mas não se atentou ao Interior do Coletivo (cultura organizacional: sempre se pagaram propinas e continuam-se pagando), ao Exterior do Indivíduo (o funcionário-pessoa, cujas condutas individuais, dentro e fora da empresa, não são alteradas por regras colocadas em um pedaço de papel), e ao Interior do Indivíduo (sistema de valores e consciência pessoal, que também não foram influenciados pela mera divulgação corporativa de uma declaração de princípios).
Entende-se, ainda, como uma empresa possa, por exemplo, ingressar o Índice Dow Jones de Sustentabilidade ou o nacional ISE da BOVESPA (instrumentos do quadrante Inferior Direito), sem “ser” socialmente responsável ou contribuir efetivamente para uma sociedade sustentável, cujo resultado só será alcançável através de um processo quádruplo de mudança (ação combinada nas quatro perspectivas que compõem a realidade, três das quais são quase totalmente ignoradas pelos próprios questionários de admissão nesses índices).
Desta forma, o consultor em sustentabilidade será convidado a auxiliar a organização na tentativa de obtenção de reconhecimentos “de quarto quadrante” (ganhar um prêmio de RSE ou ingressar em carteira privilegiada de ações), que só testemunham o eventual progresso da empresa com relação a uma das quatro facetas da realidade. O desconforto que advém do sentimento de que “ainda falta algo” (a consciência subjetiva e intersubjetiva, bem como a esfera comportamental individual, foram trabalhadas somente de maneira marginal e indireta...) não pode certamente surpreender.
Uma brilhante pesquisa conduzida por Barrett Brown, também utilizando o modelo AQAL, sobre os oito livros que podem ser considerados como “clássicos” da literatura sobre desenvolvimento sustentável[5], gerou conclusões impressionantemente semelhantes, ao descobrir que todos os textos analisados oferecem representações da realidade, conceitos e sugestões prevalente e invariavelmente focados no quarto quadrante (Exterior do Coletivo ou social).
Quer se trate de “Capitalismo Natural” do Rocky Mountain Institute ou de “The Natural Step”; da “Ecologia do Comércio” de Paul Hawken ou do relatório “Nosso Futuro Comum” da Comissão Bruntland; de clássicos de Lester Brown ou do World Business Council for Sustainable Development: todos os livros mais inspiradores de gerações de militantes das causas ecológicas, sociais e desenvolvimentistas concentraram-se em analisar, ou sugerir mudar, a estrutura ou sistema do Exterior do Coletivo (quadrante inferior direito).
Desta forma, entende-se, também, a eficácia somente parcial da aplicação ao meio empresarial, tão em voga, de aspectos cada vez mais populares da física quântica, física da relatividade, cibernética, teoria dos sistemas dinâmicos, teoria da complexidade, teoria do caos e autopoiese[6]: estas teorias só dialogam e atuam no âmbito do “sistema” empresa e da sua estrutura coletiva externa (quadrante inferior direito, novamente), mas nada nos dizem sobre o processo de expansão da visão de mundo e consciência espiritual do indivíduo-funcionário (quadrante superior esquerdo), da consciência organizacional e cultura coletiva ou comunal da empresa (quadrante inferior esquerdo) e da esfera comportamental da pessoa-membro da corporação (quadrante superior direito).
A questão não é como transmigrar de um suposto “paradigma” cartesiano para um novo “paradigma” holístico, pois ambos só se referem ou representam um quarto da realidade que desejamos reconstruir.
Em suma, nossa frustração decorre de um equívoco tático: acreditamos que seria possível construir uma realidade diferente, agindo sistematicamente só sobre um quarto dela, enquanto atenção e esforços mínimos foram endereçados para os restantes três quartos do Todo que pretendíamos modificar: como poderia dar certo?
Obviamente, as ferramentas de gestão e demais iniciativas de “quarto quadrante” também geram efeitos, indiretos e mediatos, nas outras três esferas (não há separação estanque entre quadrantes, mas integração dinâmica): entretanto, é preciso adotar estratégias mais abrangentes e integrais, que nos permitam consolidar propostas de intervenção e transformação mais profunda, nos três quadrantes até agora negligenciados.
Algo, deste ponto de vista, já está acontecendo.
Quando o Presidente global da Unilever leva os Presidentes das filiais mundiais para uma experiência vivencial na selva do Sri Lanka[7], ele está basicamente trabalhando o primeiro quadrante (Interior do Indivíduo).
Quando o Instituto ETHOS de Empresas e Responsabilidade Social estipula parceria estratégica com o programa Vivendo Valores nas Organizações (VIVO) da Brahma Kumaris, também está se propondo a interagir, de forma extraordinariamente pioneira, nos quadrantes menos percorridos pelo movimento da responsabilidade social empresarial.
O caminho é infinitamente árduo, mas agora temos, finalmente, um mapa.

Cidade diferenciada

Boas ideias merecem ser replicadas, a proposta da matéria abaixo, além de ser ambientalmente interessante e também com efeitos positivos para a qualidade de vida ainda pode ser uma boa oportunidade de socialização.


Numa cidade diferenciada, os carros são domesticados e os pedestres têm prazer de andar pelas ruas

Folha de São Paulo
GILBERTO DIMENSTEIN

UMA EXPERIÊNCIA lançada neste ano entre universitários da cidade de São Paulo, batizada de Campus Aberto, está testando um jeito de economizar dinheiro com o táxi. Cada corrida pode sair até 70% mais barato. A ideia, muito simples, só é viável por causa das novas tecnologias da informação.
Em mapas publicados na internet, as pessoas registram seu trajeto diário para a universidade e descobrem quem mora perto. Combinam, então, de se encontrar num ponto de táxi. Simples assim. E sem nenhum risco à segurança.
Dependendo da distância que se percorra diariamente, é melhor negócio não ter carro e só pegar táxi, como demonstrou um professor da Fundação Getulio Vargas em reportagem da Folha na semana passada. Rachar o custo da corrida, então, faria essa conta ainda mais favorável, estimulando o cidadão a deixar o veículo na garagem.
Começa nesta semana uma campanha publicitária estimulada pela SOS Mata Atlântica para tentar reduzir o número de carros na cidade de São Paulo, quando serão apresentados meios de compartilhar o automóvel; o projeto criado para os universitários é um deles.
Esse tipo de ideia pega no Brasil?
Essa questão será discutida em um encontro, no final do mês no Brasil, entre prefeitos das 40 maiores cidades do mundo. Serão gestadas ali soluções para preservar o planeta.
Os automóveis são fonte permanente de problemas na locomoção dos indivíduos e favorecem o aquecimento global. Há uma criatividade planetária empenhada em domesticá-los. Em algumas cidades, estão implantando medidas mais radicais, como o pedágio urbano.
Espalha-se pelo mundo o projeto de compartilhamento de bicicletas, depois da visibilidade que ganhou em Paris e de chegar a Nova York. No Brasil, o teste está sendo feito no campus da USP.
Em Londres, há um movimento para estimular os vizinhos a emprestar seus carros. No final, o custo fica mais baixo que o de uma corrida de táxi. O único inconveniente seria a dificuldade de compartilhar a chave, problema que foi resolvido em San Francisco, nos Estados Unidos, o mais efervescente centro mundial de inovação em tecnologia da informação, onde desenvolveram um sistema que permite abrir e acionar o carro pelo celular.
Quando um empreendedor decidiu criar, nos Estados Unidos, uma empresa (ZipCar) para alugar carros por hora, foi chamado de maluco. Ele percebeu que muita gente preferia não ter um automóvel. A "maluquice" entrou na Bolsa de Valores, arrecadou, no mês passado, R$ 250 milhões e está obrigando as empresas tradicionais de aluguel de veículos a se reciclarem.
Uma das áreas que mais atraem ideias ousadas é a de produção de carros menores que não poluam. É uma tremenda diversão visitar laboratórios de universidades americanas e ver os garotos tentando inventar o carro do futuro. Em alguns deles, o motor fica na roda.
Uma das boas cenas que presenciei aqui em Harvard foi a apresentação de Jaime Lerner, num seminário sobre urbanismo e inovação, em que mostrou seu projeto do "menor carro do mundo", movido a energia solar -um carro pensado para ser compartilhado e facilitar o trânsito, não para uso particular. Foi uma comoção geral, em meio a aplausos.
Há uma sensação de que, em lugares como São Paulo, estamos próximos de um colapso. A informação está cada vez mais veloz, e o trânsito, mais lento e ameaçador à saúde. Na semana passada, a USP divulgou estatística de que, apenas na cidade de São Paulo, a poluição mata 4.000 pessoas por ano -mais do que a Aids e a tuberculose juntas.
Esse é o pano de fundo da polêmica em torno da estação Higienópolis do metrô, recusada por alguns moradores do bairro para afastar "gente diferenciada". A frase ajudou a fazer a combustão, mas foi só um detalhe. No passado, bairros ricos de São Paulo já recusaram o metrô por causa dos "diferenciados". Ganharam e não houve tanta repercussão.
O essencial é o crescente consenso de que, numa cidade diferenciada -isso significa civilizada-, os carros são domesticados e os pedestres têm prazer de andar nas ruas.

PS- Naquela palestra, Jaime Lerner mostrou o que para mim é a imagem mais estimulante de uma São Paulo diferenciada. Ele projetou um imenso parque num elevado em cima dos trilhos de trem que cruzam a cidade. Seria o maior parque linear do mundo e, na prática, acabaria com a divisão da cidade entre centro e periferia. Coloquei no Catraca Livre (catracalivre.com.br
) o detalhamento dos projetos citados na coluna.

sábado, 7 de maio de 2011

Profissionais de Sustentabilidade: Workshop de Sustentabilidade e Responsabilidade So...

Muito bacana a cobertura da Vivan Garcia no Workshop de Sustentabilidade e Responsabilidade Social na ABA, realizado em 12/04/2011.
Imagino que discussão deve ter sido extremamente rica e tendo a concordar com quase todos os pontos colocados.
Apenas com relação a provocação colocada pela Flávia Moraes, consultora com quem aprendo muito sempre de que a comunicação externa das empresas só deve ser feita quando a lição de casa estiver pronta, merece um pouco mais de discussão, porque vejo a sustentabilidade corporativa com que trabalhamos não como um modelo pronto, um conceito ou teoria acabada com paradigmas bem definidos, para saber quando a lição de casa estará realmente feita.
Vejo a sustentabilidade como um movimento que se reinventa a cada dia e nessa tocada, ainda temos o compromisso da transparência e engajamento e isso exige exposição e humildade para fazer e refazer. Claro que dentro dos limites éticos estabelecidos, além disso, como valorizar um movimento se ficarmos jogando ele só para dentro. Nós, profissionais que lidam com esse tema a frente das empresas, governos e academia precisam retirar de suas faces a culpa do "pecado" como se fosse um dogma católico que nos encasula como caracóis e criar exposições para que críticas construtivas sejam feitas. Claro que haverão as destrutivas também, mas isso caberá a cada um saber separar o joio do trigo.


Profissionais de Sustentabilidade: Workshop de Sustentabilidade e Responsabilidade So...: "Por Vivian Garcia* Com o ousado desafio de abordar, em um único dia, as diversas e abrangentes questões relacionadas à sustentabilidade foi..."

sábado, 2 de abril de 2011

Bombril cria instituto social. O que podemos aprender com essa iniciativa?


Bombril inaugurou no último dia 30/03/2011 o Instituto Sampaio Ferreira, com foco no desenvolvimento socioeconomico da mulher.


A iniciativa é interessante para visualizar o quanto as empresas estão buscando por meio do investimento social privado, um posicionamento mais próximo e alinhado ao seu cor business ou ao target da sua categoria.


Na mesma linha, na última semana (28/03/2011) o Walmart Brasil, promoveu um debate sobre a constribuição da Mulher no Desenvolvimento Econômico e Sustentável no Brasil. Estive lá o encontro foi em interessante e parabéns a empresa pela iniciativa.


Voltando ao caso da Bombril, que também lançou recentemento seu instituto com foco no desenvolvimento da mulher, me faz lembrar diretamento no conceito trabalhado pelo Kotller em seu último livro Mkt 3.0. Segundo Kotller "as pessoas se imporatma maiscom as empresas que se importam com elas", mas para isso é necessário mais do que qualidade, preço e entrega é necessário uma identificação de valor, uma afinidade em que as pessoas se conheçam como pessoas e não apenas como consumidoras de uma marca.


Em geral o mercado de bens de consumo não duráveis ainda tem a mulher como um fator predominante na decisão de compra e por isso, avalio que a escolha e foco dado pela Bombril foi muito feliz. Por meio do investimento social, além da empresa ter a oportunidade de contribuir de forma diferenciada com seu principal público, ainda terá melhores condições de condicer mais afundo esse público e isso não é oportunismo, mas sim estratégia de negócio e otimização de esforço, em síntese, uma iniciativa em que a sociedade ganha e traz eficiência e efetividade para o negócio, uma junção que se desenha "perfeita" ao mundo dos negócios.


Contudo, no caso da Bombril em particular tem uma fato que me chama ainda mais atenção, até o final de 2009 era uma empresa a beira da falência e buscaram uma recomposição com um bom choque de gestão, quando estavam com a casa mais ou menos organizada foram para o mercado posicionar a palha de aço, carro chefe da empresa, como um produto que sempre foi “sustentável” por ter características biodegradáveis ao contrário da concorrente 3M com tinha uma esponja sintética.


A propagando foi julgada “enganosa” pelo CONAR e isso poderia ter complicado ainda mais a vida da empresa, fato inclusive que foi motivo de duas publicações neste blog, sendo um com a matéria sobre a decição do CONAR (veja o link) e outra mais opiniativa sobre a situação (veja o link). Mesmo diante da inconsistência e viés oportunista que a estratégia apresentou há época, a empresa apostou nessa tendência, na época cheguei a fazer uma crítica dura a empresa, mas também coloquei claramente que seria uma ótima oportuniade dela aprender e buscar alternativas mais consistência.


Hoje fico entusiasmado de ter colocado essa perspectiva, porque logo na sequência a Bombril não apenas reviu seu posicionamento vazio, mas apostou na tendência e colocou no mercado a Linha ECO, que consiste em um conjunto de produtos de higiene e limpeza com princípios ativos naturais e menos agressivos ao meio ambiente, além de embalagens reduzidas, sistema de refil e um conjunto de informações reforçando uma série de atributos de sustentabilidade e com isso estão conseguindo filar uma boa fatia desse mercado, na qual eu estou incluído assumidamente.


Agora para coroar a estratégia estão lançando um braço social com foco no desenvolvimento da mulher, o que pode ter começado de forma oportunista deve ter gerado um bom aprendizado e está se mostrando uma boa oportunidade de negócio e claro, uma boa alternativa para a sociedade que também possa continuar sanando suas necessidades, com acesso a oportunidade de exercer uma postura mais consciente, responsável e sustentável diante de seus impactos ao meio ambiente.


Nós só temos a desejar sucesso a essa linha de negócios da Bombril e que o Instituto possa fazer um bom trabalho e que gere muitas oportunidades ao desenvolvimento da mulher no Brasil, o país precisa desse tipo de postura e iniciativa. Parabéns!

Um bom case do que o Kotller está chamando de empresas de valor!

Tendências sobre Eficiência, Inovação e Sustentabilidade na gestão de recursos hirdrícos

Artigo recente (22/03/2011) publicado no Jornal Valor Econômic (replicado abaixo), provavelmente motivado pelo dia internacional da água, apresenta de forma concretra e didática a associação entre eficiência, inovação e diferenciais alinhados as premissas de sustentabilidade, como algo que está deixando de ser uma tendência e se já materializando como projetos práticos e diferenciais competitivos.



Não tenho dúvidas que as empresas com profissionais e processos melhor preparados sobre estas premissas, terão melhores condições de alavancar ou sustentar mercados no futuro próximo. Restará saber quantos CEOs e empresas dotadas de suas racionaliades e busca por resultados terão visão aponto de ampliar seus horizontes e identificar as relações sistemicas e percepção de médio e longo prazo nas suas dinâmicas de planejamento estratégico.



Na minha singela leitura, nenhum planejamento por melhor que seja e geralmente são muito bons, terá condições de ser eficiênte se não considerar três itens básicos de dificil ou quase impossível adaptação nas "planilhas de excel": pessoas, cultura e recursos e serviços ambientais. Contudo, não digo isso sob a visão estreita de olhar para esses elementos como apenas como recursos, processos de gestão e insumos, mas na sua complexidade de questões vivas, orgânicas e multirelacionadas.



Obviamente que o artigo, não responde a fatídica pergunta de quanto se ganha com a sustentabilidade, mas deixa indicativos fortes de quanto podemos deixar de ganhar e até perder ao ignorar essa perspectiva. Novamentes estamos diante de escolhas sobre um processo em movimento, mas não são escolhas aleatórias, podemos sim fazer desse um processo com discussões, visões e análises críticas para que se façam escolhas conscientes e mais a frente (não muito distante) se colha os frutos de tais escolhas, que irão variar de acordo com a qualidade das escolhas e profundidade dado ao processo.
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Fabricantes têm como objetivo utilizar 1,5 litro de água para cada litro de refrigerante



Setor de bebidas fixa metas cada vez mais ambiciosas


Rosangela Capozoli Para o Valor, de São Paulo 22/03/2011 Claudio Belli/Valor


Jorge Tarasuk: os investimentos nem sempre são vultuosos, mas garantem uma grande economia de água



As ações desenhadas no âmbito de uma política de redução de consumo de água, às vezes, podem não ser as mais sofisticadas do ponto de vista tecnológico, mas os resultados sempre são altamente positivos. Diminuir o gasto, evitar desperdício, promover a reutilização e buscar fontes alternativas de água são metas sustentadas pelas indústrias dos setores de bebidas e alimentos que têm a água como principal matéria-prima.


Os investimentos variam de acordo com as novas descobertas, que em alguns casos, apesar do baixo custo, permitem economias acentuadas. Os exemplos vão desde desembolsos em peças fundamentais à base de plástico que custam, no mercado, parcos R$ 10 até volumosos desembolsos que necessitam de quantias que beiram R$ 5 milhões. As ações são adotadas à medida que pesquisas apontam a melhor alternativa para atingir a meta proposta.


Algumas das ações da PepsiCo, segunda maior empresa de bebidas e alimentos do mundo, por exemplo, se basearam em medidas simples e eficazes e em outras que demandaram grandes desembolsos, mas os resultados foram surpreendentes. "Os investimentos nem sempre são vultuosos. A instalação de um aerador no sistema de jateamento de água do cortador de batatas, por exemplo, custou R$ 10 cada peça e garantiu uma economia mensal de 5 mil metros cúbicos de água nas 29 plantas da região", afirma Jorge Tarasuk, vice-presidente de operações da Divisão de Alimentos da PepsiCo América do Sul.


Na outra ponta, a construção de uma estação de tratamento de água absorveu aportes financeiros próximos de R$ 5 milhões, segundo dados da empresa. Pelos seus cálculos, no campo, hoje, a PepsicoCo economiza 10% do líquido em relação há três anos. O ramo de produção de bebidas obteve, no mesmo período, um uso 7% inferior. "Na lavagem de garrafas substituímos a água pelo ar esterilizado. Entre 2006 e 2015, a meta mundial da companhia é reduzir 20% de água na produção. Estamos na metade do caminho e alcançamos 15% de redução.


Na América do Sul, algumas unidades já conseguiram ultrapassar o índice, atingindo 25% na divisão de alimentos", garante. Se um simples aerador garantiu redução dessa magnitude, a construção da estação de tratamento de água trouxe benefícios ainda maiores a PepsiCo Brasil. "Com essa estação passamos a fazer uma economia de 500 milhões de litros/ano, ou seja, o correspondente a uma fila indiana de 25 mil caminhões pipa de São Paulo a Curitiba ou o equivalente a 250 mil piscinas olímpicas", exemplifica o vice-presidente.


A Coca Cola Brasil, concorrente da PepsiCo na área de bebidas, se debruça sobre o tema desde 1992. "Começamos a pensar mais sobre a redução de água, energia e resíduos sólidos há quase 20 anos", afirma José Mauro de Morais, diretor de meio ambiente da Coca Cola Brasil. A companhia, segundo Morais, adotou a política dos 3Rs: reduzir, recompor e reciclar. "Qualquer produto nosso tem entre 90% e 99,5% de água. Hoje, grande parte dessa água é captada e tratada. Repor é o item mais novo. A água é uma questão de sobrevivência do nosso negócio. É nossa matéria-prima", diz. Das 46 fábricas instaladas no Brasil, todas seguem essa política, segundo o diretor. Satisfeito com o progresso obtido nessa área, a Coca Cola, segundo Morais, há dez anos necessitava de 2,5 litros de água para produzir um litro de bebida. "Hoje já baixamos para 1,95 litro, o que significa uma economia de 23%", afirma. Treinamento em mão de obra, de acordo com Morais, tem sido o maior investimento dentro da indústria para atingir resultados satisfatórios. "Fazemos um encontro anual na Coca Cola e sempre estabelecemos uma comparação entre as empresas. Aquelas bem sucedidas na redução do consumo servem de espelho para as demais", diz. Ao invés de usar ar esterelizado na limpeza das garrafas, como faz a PepsiCo do Brasil, a Coca Cola "recupera a água de enxague". "Há tempos atrás essa água corria pelo ralo hoje vai para o tratamento", informa.


Apesar de ter avançado bastante na questão da economia, o diretor da Coca Cola acredita que até 2020 todas as unidades fabris conseguirão reduzir ainda mais o consumo água ao fabricar um litro de bebida com apenas 1,5 litro de água. "Algumas fábricas como a de Jundiaí, no interior de São Paulo, e a de Brasília, localizada no Distrito Federal, conseguiram atingir esse objetivo", garante. A PepsiCo do Brasil, segundo Tarasuk, necessita, em média, de 1,65 litros de água para cada litro de bebida produzida. Além de seguir de perto a questão da redução no consumo, Morais conta que a companhia também participa do Comitê das Bacias. "Essa é uma forma importante e inteligente de dar sustentabilidade à questão da redução da água", ressalta.


A novidade mais recente da fabricante americana de alimentos PepsiCo na área de sustentabilidade, fica por conta do desenvolvimento da primeira garrafa plástica feita a partir de materiais vegetais renováveis e 100% recicláveis. Em um comunicado, no último dia 15, a companhia informa que "futuramente, o grupo quer (...) incluir cascas de laranja, maçã, batata, aveia e outros produtos agrícolas derivados de atividades agroalimentares". Ainda de acordo com a nota divulgada, "a PepsiCo está em uma posição única para utilizar os produtos derivados agrícolas (...) a fim de fabricar uma garrafa ecologicamente correta para nossa produção de bebidas". A produção desta nova garrafa deve iniciar em 2012, em uma experiência piloto.


A PepsiCo já havia inovado com embalagens plásticas 100% recicláveis para as batatas fritas Frito Lay. Mas elas foram retiradas do mercado americano, porque os consumidores consideraram que os pacotes eram muito barulhentos. Para este novo projeto, a PepsiCo garante que a garrafa terá o mesmo aspecto, a mesma consistência e oferecerá a mesma proteção de uma garrafa plástica clássica. Na França, o grupo Danone anunciou na semana passada que seu produto Actimel seria vendido no país em uma garrafa plástica composta por 95% de cana-de-açúcar, após ter introduzido plástico vegetal para a elaboração de garrafas de água Volvic.

Abertas inscrições para o Empreendedor Social 2011

Com mais benefícios a finalistas e vencedores, estão abertas até 1º de maio as inscrições para o 7º Prêmio Empreendedor Social e o 3º Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro. Os concursos buscam líderes sociais que atuam de forma inovadora, sustentável e com forte impacto na sociedade e em políticas públicas. Neste ano, além de reconhecimento na mídia e em evento que reunirá lideranças acadêmicas, empresariais, públicas e sociais, todos os finalistas terão acesso a benefícios para aprimorar sua formação e a gestão da organização. O vencedor do Empreendedor Social 2011 receberá uma auditoria independente e integrará a rede mundial de Empreendedores Sociais de Destaque da Fundação Schwab, parceira da Folha nesse prêmio, que é realizado em todos os continentes. Também será convidado a participar, com despesas pagas, da reunião do Fórum Econômico Mundial para a América Latina em 2012 e, dependendo do perfil, da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em 2013. "Nos fóruns, há uma troca de know-how entre empreendedores sociais e lideranças empresariais, políticas e de mídia, com o objetivo de catalisar mudanças sociais em larga escala", explica Mirjam Schoening, diretora da Fundação Schwab. Já o vencedor do Empreendedor Social de Futuro receberá uma bolsa no MBA de Negócios Sustentáveis em 2012, além de uma consultoria de gestão por dez dias. "Com isso, a Folha reafirma seu papel pioneiro de investigar, descobrir e divulgar iniciativas que merecem ser amplamente conhecidas", afirma o editor-executivo, Sérgio Dávila. Os prêmios sociais são patrocinados pela Ernst & Young Terco e têm apoio estratégico de Artemisia; Ceats (Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor); Iats (Instituto de Administração para o Terceiro Setor); Figueiredo Lopes, Golfieri, Reicher, Storto Advogados; Gesc (Gestão para Organizações da Sociedade Civil); Neurônio; sitawi e The Hub. Outros apoiadores são ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), Ashoka, CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), Ethos, Folha.com, Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), ONG Brasil, P&B, Planeta Voluntários, Sator e UOL. As inscrições são somente pela internet até o dia 01/05. Para mais informações, inscrições e regulamento completo, acesse o site: http://www.newsdoplaneta.com.br/